Varjões (2013 - actualidade)

 

Através de Varjões procuro confrontar o espectador com as consequências da construcção da central hidroeléctrica de Belo Monte (Pará, Brasil) no rio Xingu. O empriendimento nasceu como projecto em 1975, mas não foi até a segunda década do século XXI que as primeiras obras começaram na Volta Grande do Xingu. Ao longo destes quarenta e cinco anos, ocorreram várias suspensões de licenciamento ambiental e sucessivas violações de direitos humanos, que deram origem a uma forte contestação por parte das comunidades locais, ambientalistas, e movimentos sociais nacionais e internacionais. No entanto, as obras de construcção foram executadas entre 2016 e 2019, e 500km2 de património de natural e cultural da Amazónia brasileira ficaram em risco.

O projeto está dividido em três blocos:

1. Ordem e Progresso, 2015, impresão sobre tela, 100x125 cm.

A obra Ordem e Progresso propõe uma nova leitura da bandeira do Brasil como um espaço simbólico passível de revisão, e utiliza como base o relatório do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento) de 2015. A obra interpela o espectador sobre a delicada realidade brasileira. A cor verde está associada aos territórios de bosque amazónico e mata atlántica; logo decidi atualizar a representação desse atributo, desfigurando a bandeira de forma a ilustrar a problemática da desflorestação da Amazónia.

2. Kararaô, 2014, instalação, dimensões variáveis.

Instalação que reproduz o mecanimo de tortura da “gota chinesa” sobre a Constituição da República do Brasil de 1988, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e o Convénio nº 169 sobre os Povos Indígenas e Tribais da OIT, de forma a ilustrar simbolicamente as consequências sociais que a construcção da central hidroeclétrica de Belo Monte tem tido na população local.

 3. Evidências, 203-2014, collagem e aquarela, dimesões variáveis.

Esta obra procura mostrar diferentes fases da construção da central hidroeléctrica de Belo Monte, onde o mundo real e o fictício se sobrepõem.

 

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Soltar es cuidar, 2018